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7 de março de 2013

Lutando contra a zona de conforto, mais uma vez.

Constantemente me pergunto se só eu sinto esse tipo de coisa ou se é comum a todas as mães de crianças pequenas: tenho uma viagem a fazer em junho para Belo Horizonte, casamento da prima Adriana, e hoje, dia 7 de março, já estou nervosa tentando prever tudo o que pode acontecer, em especial o que pode dar errado. 

Primeiro vôo do Dudu e já estou me preparando psicologicamente pro caso dele ficar inquieto  e incomodar os outros passageiros. É, podem me chamar do que quiserem, mas faço de um tudo pra que meu filho não incomode os outros em locais públicos. Antes de eu ter filho, eu ficava incomodada com o filho alheio nessas situações, então acho bom tentar manter o controle, ao menos, sob esse aspecto. 

Fico nervosa se vou conseguir dormir, uma coisa essencial na minha vida depois que Dudu nasceu, se vou "segurar a onda" do cansaço, se vou saber lidar com os estranhamentos que ele pode ter... Já começo a sentir a insônia puxando meu pé! 

Não sei viver bem um dia de cada vez e longe da minha zona de conforto. Me esforço e vou pra não deixar a zona de conforto me vencer, mas é com bastante custo mesmo. Eu poderia desistir, achar tudo complicado demais, julgar que não vai ser tranquilo, mas não acho que vale a pena me acovardar agora. Então vou tentar, vou marcar a viagem, ainda que enfrentando todas essas questões. Tudo é um teste desde que Dudu nasceu, das coisas mais simples às mais complicadas (pra mim, ao menos). E eu tenho corrido de encontro a todos os testes, mesmo morrendo de medo de alguns.

Contando até dez, respirando fundo e tentando aguardar o dia chegar, o mais em paz possível. Tem muita água pra rolar antes dessa viagem, coisas nas quais eu deveria me concentrar agora... Mas o coração já está disparado... 

Força!

18 de janeiro de 2013

Pé direito para 2013.

O ano começou à todo vapor! Encarei uma mudança em uma semana... Era pra ser só a pintura da casa, mas surgiu a oportunidade de ir para uma casa maior e nós, é claro, a agarramos. E tem sido bom demais, devo confessar. Casa mais espaçosa, casa mais familiar (já morei aqui quando criança). Confesso que foi um tanto quanto estressante mudar tudo de lugar, ainda que fosse para o outro lado da rua, mas quando tudo estava resolvido (a.k.a. ter tv à cabo, internet e móveis montados), comecei a curtir tanto que nem me sinto sufocada de passar mais tempo em casa (Dudu tá de férias na creche, acabo ficando menos). É, primeira grande coisa a acontecer em 2013 e eu curti, aliás, estou curtindo muito.

Fiquei com um gás absurdo depois disso, louca de vontade de arrumar as coisas do meu jeito, decorar, comprar coisinhas para a casa... Parece que tô tendo, finalmente, a chance de montar minha casinha com calma. Quando marido e eu fomos morar juntos, justamente porque estávamos "grávidos", tudo foi feito às pressas e comprado de qualquer jeito, sinto como se uma etapa importante, a de montagem da casa com a minha cara, tivesse sido queimada. E, agora, estou tendo uma nova chance de fazer isso, o que é delicioso! 

Aliás, depois de quase dois anos de Dudu, começo a ter novas chances de fazer as coisas que "queimei" quando me descobri grávida e foi um atolamento por parte das famílias para "resolver" tudo com rapidez. Desconfio seriamente que esse tipo de atitude influenciou bastante nas coisas tristes que senti pós-parto. 

Finalmente, em 2013, acho que vou conseguir me organizar. Foi depois de muita conversa com a terapeuta que descobri algo que quero fazer assim, digamos, "profissionalmente". E estou investindo nisso, com o apoio do marido. É empolgante a possibilidade de fazer alguma coisa com os conhecimentos que apreendi na minha (longa) jornada de estudos e, ainda por cima, caber na rotina que tenho. 

Comecei o ano com o pé direito e espero que essa sensação perdure! E o 2013 de vocês? Começou bem? 



Feliz 2013, gente! Para nós tod@s! 

29 de agosto de 2012

O que você vai ser quando você crescer?

De uns tempos pra cá minha terapeuta vem me instigando a pensar no que eu quero fazer quando "acabar" a faculdade. Volta e meia ela diz que eu vou me sentir mais "descansada" se trabalhar porque "as mães descansam do trabalho doméstico no emprego", etc e tal. Não sei porquê, mas discordei. A verdade é que, se eu puder, eu quero continuar estudando. Pois é, pasmem.

A gente passa boa parte da vida querendo parar de estudar. A gente reclama dos horários das aulas, dos professores, dos conteúdos, das abordagens e, principalmente, dos métodos de avaliação. Mas, verdade seja dita, agora que estou em vias de terminar minha segunda faculdade (é o que parece, ao menos), não quero parar. Dá agonia só de pensar em "arrumar um emprego" que não envolva ler, escrever, assistir aulas e palestras... Dá sim.

Talvez eu sempre soubesse que não queria parar quando comecei a cursar outra faculdade, né? Mas eu fiz de conta que não sabia disso e continuei reclamando das coisas que os estudantes reclamam. E, podem ter certeza, eu vou continuar reclamando caso eu prossiga meu caminho acadêmico. Mas não queria parar aqui e agora, não queria mesmo. Não sei se por culpa do desinteresse que sofri pelo jornalismo, me "desapaixonei" quando fui conhecendo os esquemas e ritmos de trabalho de cada área. Ou se, realmente, tem alguma coisa que me revigora nas aulas, nos livros, nas pesquisas... 

Minha terapeuta me sugeriu considerar a ideia de trabalhar com pesquisa. Será que é pra mim? Ser uma "boa estudante" faz de mim uma boa pesquisadora? Sei que as opções que o jornalismo me oferece hoje em dia não são interessantes... Ficaram menos interessantes ainda depois que Dudu nasceu (muito trabalho e pouco tempo pra ele, hora de chegada e nem previsão de hora de saída, fins de semana de trabalho, uma vida que me privaria de muito tempo vendo ele crescer). Será que a pesquisa é a solução? Tenho muito pra pensar. Muito mesmo. A começar por essa monografia (que tá saindo, mesmo com todas as tarefas que eu preciso realizar diariamente e com a dieta que resolvi voltar a fazer)... 

Depois dela eu começo a ver o que fazer da minha vida. Depois, tá dona terapeuta?

2 de junho de 2012

Novos velhos prazeres.

Não sei se acontece desse jeito com todo mundo, mas comigo a coisa vai indo bem assim: os velhos prazeres são os velhos prazeres. Los Hermanos, depois de uma bolinha de tempo, resolveu se "ajuntar" novamente e fazer shows. E pensar que eu fui num dos tais "shows de despedida" e deixei minha alma na Fundição Progresso. Pelo menos, na época, pensei ter deixado. Não estivesse eu vivendo a fase de não trocar horas de sono por absolutamente nada nesse mundo, eu dava meu jeitinho de ir. Velhos prazeres, entendem?

Show é velho prazer. É prazer que ficou na parte da minha vida onde não constava a existência de um filho pequeno. Talvez volte a fazer parte dela quando ele for maior, mas não fico contando com ovos dentro de galinhas. O mais sábio a fazer é ir vivendo, esperando e medindo o quanto pode ser feito e o quanto não pode.

O que nem prazer era, agora é. A cada quinze dias eu me dou uma tarde de sexta-feira "em liberdade". Como minhas sessões de terapia são de quinze em quinze dias, duas sextas por mês são "livres" e declaro folga, sem ir pra cozinha ou lavar roupa, ou marcar consultas médicas e ir a academia. São, mais ou menos, umas três horas - na prática - de "folga" das quatro que Dudu fica na creche. Aí eu aproveito que meu marido não trabalha sexta à tarde e a gente vai almoçar fora, tomar um café, jogar conversa fora, ver programação não-infantil na tv, etc.

Antes de ter filho, esse tipo de coisa era completamente irrelevante. Sentar no Café do Ponto pra um "coffe avelã" era coisa habitual do fim de semana. Hoje é um prazer imenso, um momento de relaxamento do qual não abro mão e que está dentro das minhas possibilidades. Novos prazeres, entendem?

É claro que dá uma pontada no coração ver os amigos falando tanto dos shows dos Hermanos. Eu não me considero da geração que apreciou Legião Urbana ou, sei lá, os Paralamas do Sucesso, como eles deveriam ter sido apreciados, mas sou da geração que viu Los Hermanos surgir, crescer, se embrenhar pelos caminhos que se embrenhou, anunciar uma separação e voltar. É, eu curti da demo mal gravada ao suposto show de despedida... Depois disso, meu filho já estava nesse mundo e LH estava no meu player, único jeito de ouvir música aproveitando as viagens de ônibus para a faculdade ou as esporádicas idas a academia.

Mas, sabem, essa semana eu tive uma sexta-feira de "folga" e tomei meu "coffe avelã" com o marido. E é assim que as coisas são - não sei se assim devem ser, mas assim que são - e vão acontecendo: uma de cada vez, conforme a vida real permite.

30 de maio de 2012

"Mais eu".

Finalmente, depois de um mês de tinta comprada, pintei as madeixas de vermelho novamente. Coloria-as há seis anos quando, de repente, me descobri grávida e parei com os procedimentos. Depois meu filho nasceu, meu tempo livre sumiu e eu fui deixando isso de ser ruiva pra lá. De uns meses pra cá tenho conversado muito isso da cor do cabelo na terapia. Não necessariamente da cor do cabelo como questão estética, mas de todos os cuidados de se ter os cabelos coloridos. É um trabalhão. Mas é um trabalhão que cai bem na vida de uma mãe que, da noite pro dia, pausou tudo que vivia/tinha/conhecia e, por muitas vezes, se sentiu triste e frustrada. A idéia de voltar a pintar o cabelo era a idéia de fazer algo por mim, algo só meu, algo que fosse pro meu cuidado e que me desse algumas horas mensais de relaxamento num salão ou em casa mesmo, com cremes, shampoos, toucas, etc. Custei a aceitar que isso seria uma boa, inventei desculpas, temi o monte de gente que insistia em dizer que eu era doida de pintar os cabelos quando tinha uma cor natural tão bonita - e, na minha humilde opinião, sem graça! Quando finalmente me "deu na telha" e eu pus aquele monte de tinta na cabeça, respirei fundo e pensei: agora já era, pra voltar à cor natural só com mais alguns anos sem pintar - eu levei dois, mais ou menos, pra sair todo o vermelho de corte em corte dos seis anos de pintura contínua. 

Fiquei feliz com o resultado. Lá estava a "minha" cor na minha cabeça. O meu vermelho "fake", do jeito que eu gostava tanto. Não me reconheci, porém. Não era eu de três anos atrás, antes dessa "loucura" de casar e ter filho me acontecer. Estava bonito, mas a sensação era muito diferente. Não era minha referência de "eu" - que, às vezes, me faz falta e me faz chorar -, era o meu "novo eu" de cabelos vermelhos.

Hoje fui à terapia e fui recebida com um "olha, você está ruiva novamente! agora se parece mais com você mesma!" Será que pareço? Expliquei a sensação. Expliquei que me sentia uma boba tentando vestir as roupas que gostava, calçar os sapatos que usava e tendo o cabelo da mesma cor que antes me fazia tão bem, fazia com que eu me sentisse muito mais bonita. Saí que nem uma boba na rua hoje, com minha camisa - linda! - de caveira mexicana, meus tênis pretos de bolinhas brancas e cano alto e meus óculos wayfarer. Nada disso combina com a pessoa que vive em mim depois que Dudu nasceu. Fica um peso nas costas como se a gente fosse obrigado a ser mais sério, menos colorido, menos "caveirístico".

Não me sinto mais bonita por conta do cabelo. Acho que, infelizmente. Tinha esperança de que fosse me sentir mais bonita, mais segura, mais parecida comigo mesma. Mas não me sinto. Gosto da cor, estou apaixonada pelo efeito da mesma na luz do sol, tirei quatrocentas e cinquenta e nove mil fotografias pra guardar e na tentativa de me achar bonita de novo. Estranhamente, dessa vez, nada funcionou. 

É difícil entender e, no meu caso, aceitar quem me tornei. Não me tornei essa pessoa porque eu quis, mas porque aconteceu. E como eu tenho dificuldades imensas com mudanças, uma que aconteceu sem eu querer e a qual não consigo compreender, é mais complicada ainda. Sinto saudade - às vezes mais do que deveria - de ser quem eu era. Hoje em dia, quando tento resgatar algo de quem eu era e gostava de ser, me sinto boba. Hoje em dia, me sinto boba o tempo todo porque não sei quem eu sou. 

Eu não sou "mais eu".


Would you want me when I'm not myself?
Wait it out while I am someone else? (J.M.)